Clima e relevo: guia aprofundado para o ENEM
Entenda clima e relevo no ENEM com um guia completo, abordando fatores climáticos, formas de relevo e suas relações com o meio ambiente.
Geografia

O estudo de clima e relevo é essencial para a compreensão da dinâmica natural da Terra e da forma como as sociedades humanas se organizam no espaço geográfico. No ENEM, esses temas aparecem de maneira integrada, geralmente associados a questões ambientais, ocupação do território, produção econômica e impactos das ações humanas sobre a natureza. A prova não exige apenas a memorização de conceitos, mas a capacidade de interpretar fenômenos naturais a partir de textos, imagens, mapas e gráficos.
O clima pode ser definido como o conjunto de condições atmosféricas que predominam em uma determinada região ao longo de longos períodos de tempo. Ele se diferencia do tempo atmosférico, que corresponde ao estado momentâneo da atmosfera, sujeito a rápidas variações. Essa distinção é frequentemente explorada no ENEM, especialmente em questões relacionadas às mudanças climáticas e aos eventos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas.
A caracterização do clima depende da observação de elementos atmosféricos, como temperatura, umidade, pressão, ventos e precipitação. No entanto, esses elementos não atuam de forma isolada. Eles são influenciados por fatores geográficos conhecidos como fatores climáticos, entre os quais se destacam a latitude, a altitude, a maritimidade, a continentalidade e a atuação das massas de ar. A latitude interfere diretamente na incidência solar, enquanto a altitude está relacionada à diminuição da temperatura conforme a elevação do relevo. Já as massas de ar transportam características de temperatura e umidade, sendo responsáveis por grande parte das variações climáticas observadas em diferentes regiões.
No território brasileiro, por exemplo, a atuação de massas de ar quentes e úmidas, associada à posição latitudinal do país, explica a predominância de climas quentes e, em muitas áreas, com elevados índices de chuva. O ENEM costuma explorar esse tipo de relação ao apresentar situações que exigem a compreensão da dinâmica atmosférica, evitando classificações puramente decorativas dos tipos de clima.
O relevo, por sua vez, corresponde ao conjunto das formas da superfície terrestre, resultantes de processos geológicos que atuam ao longo de milhões de anos. Ele não é estático, mas está em constante transformação devido à ação de forças internas e externas da Terra. As forças internas, como os movimentos tectônicos, são responsáveis pela formação inicial das grandes estruturas do relevo, enquanto as forças externas atuam na modelagem dessas formas ao longo do tempo.
Entre os processos externos, destaca-se o intemperismo, que consiste na alteração e desagregação das rochas em função das condições ambientais. O tipo de intemperismo predominante em uma região está diretamente relacionado ao clima. Em áreas quentes e úmidas, por exemplo, o intemperismo químico tende a ser mais intenso, enquanto em regiões mais secas ou frias, o intemperismo físico é mais frequente. O ENEM explora essa relação ao associar relevo, clima e formação dos solos, muitas vezes vinculando o tema a problemas ambientais.
A interação entre clima e relevo exerce influência direta sobre a hidrografia, a vegetação e as possibilidades de ocupação humana. Regiões de relevo acidentado e com elevados índices de chuva, quando ocupadas de forma inadequada, tornam-se mais suscetíveis a deslizamentos de terra. Já áreas de relevo plano, associadas à impermeabilização do solo urbano, podem sofrer com enchentes. Essas situações são frequentemente abordadas no ENEM para avaliar a capacidade do estudante de relacionar fenômenos naturais às ações humanas.
Além disso, o exame valoriza uma abordagem crítica sobre os impactos das atividades humanas no equilíbrio climático e na dinâmica do relevo. O desmatamento, a urbanização desordenada e o uso inadequado do solo intensificam processos naturais, como a erosão e a desertificação, ampliando riscos ambientais. Assim, compreender clima e relevo é fundamental para discutir temas como sustentabilidade, planejamento territorial e adaptação às mudanças climáticas.
Portanto, o domínio desses conteúdos permite ao estudante interpretar o espaço geográfico de forma integrada, reconhecendo que clima e relevo não são apenas elementos naturais isolados, mas componentes fundamentais da relação entre sociedade e natureza, eixo central das questões do ENEM.
Exercício de fixação – Estilo ENEM
Uma cidade brasileira situada em área de relevo acidentado tem registrado, nos últimos anos, um aumento significativo de deslizamentos de terra durante o período chuvoso. Esse fenômeno ocorre principalmente em bairros localizados em encostas, onde há intensa ocupação urbana e retirada da cobertura vegetal original.
Com base na relação entre clima, relevo e ação humana, é correto afirmar que os deslizamentos estão associados, sobretudo, à combinação entre:
a) clima seco, relevo plano e impermeabilização do solo
b) chuvas intensas, relevo inclinado e ocupação irregular
c) baixa altitude, clima frio e ausência de intemperismo
d) massas de ar frias, relevo plano e solos pouco profundos
e) intemperismo físico, clima árido e ação eólica
Gabarito
Alternativa correta: B
Explicação
A alternativa B é a correta porque os deslizamentos de terra resultam da atuação conjunta de fatores naturais e humanos. As chuvas intensas, comuns em determinados períodos do ano, aumentam a infiltração de água no solo, reduzindo sua coesão. Quando esse processo ocorre em áreas de relevo inclinado, a força da gravidade favorece o deslocamento do material. A situação se agrava com a ocupação irregular, especialmente a retirada da vegetação, que normalmente contribui para a estabilização do solo por meio de suas raízes.
As demais alternativas apresentam combinações incoerentes com a ocorrência de deslizamentos. O clima seco e o relevo plano não favorecem esse tipo de processo, enquanto climas áridos e a ação eólica estão mais associados à erosão pelo vento. Já a atuação exclusiva de massas de ar frias ou a ausência de intemperismo não explicam adequadamente o fenômeno descrito.




