Educação financeira: como criar uma reserva no ensino superior para a casa própria
Educação financeira pode ajudar estudantes a organizar a renda e começar uma reserva ainda durante o ensino superior, mesmo com recursos limitados. Criar o hábito de guardar dinheiro pode contribuir para objetivos de longo prazo, como a compra da casa própria. Planejamento, investimentos e organização dos gastos são alguns dos caminhos para começar.
A casa própria é um sonho para nove em cada dez brasileiros que pagam aluguel, de acordo com levantamento do Datafolha. No entanto, o investimento elevado pode fazer com que a compra pareça distante para parte das famílias, especialmente quando depende de uma entrada significativa.
Organizar uma reserva com antecedência pode ampliar as possibilidades na hora da aquisição, seja para negociar um pagamento à vista, dar entrada em um financiamento ou até aproveitar oportunidades em grandes capitais, como São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Ao buscar por um leilão de imóveis em SP, por exemplo, é possível encontrar ofertas com descontos que chegam a 80%, dependendo do imóvel, da localização e das condições previstas no edital.
Para o escritor e PhD em Educação Financeira Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), uma das dificuldades enfrentadas por quem deseja comprar um imóvel é justamente a falta de uma reserva. Em seu canal no YouTube, ele explica que a primeira orientação é começar a guardar dinheiro e direcionar parte dos recursos para a entrada.
Esse esforço não depende necessariamente de um aumento na renda. Domingos recomenda observar os próprios gastos e reduzir excessos e desperdícios que possam liberar dinheiro para o objetivo. Na avaliação do educador, mesmo valores que parecem pequenos, dos centavos a R$10 ou R$100, precisam ser considerados nesse momento.
Com uma reserva formada, também fica mais fácil avaliar as diferentes condições disponíveis para a compra. Dependendo da renda familiar, programas habitacionais do governo, como o Minha Casa, Minha Vida, podem oferecer juros mais baixos e outras condições de acesso.
“São muitas instituições oferecendo financiamento, uma atrás da outra. O que você precisa é ter a certeza de pagar uma taxa menor de juros e ter a absoluta convicção de que esta prestação caberá no seu orçamento”, afirma Domingos.
Investimentos podem ajudar a formar o valor da entrada
Guardar o dinheiro não significa necessariamente deixá-lo parado até a compra. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) aponta o investimento dos recursos como um dos caminhos mais eficientes para quem pretende adquirir um imóvel.
A instituição cita como exemplo uma pessoa que teria recursos para pagar a prestação de um financiamento, mas opta por alugar um imóvel semelhante e investir a diferença entre os dois valores. Segundo a instituição, como o aluguel costuma representar cerca de 0,5% do valor do imóvel, alguns cálculos indicam que, mantendo esses aportes, seria possível acumular em um período de sete a dez anos a quantia necessária para realizar a compra à vista.
Para isso, a recomendação é fazer um planejamento financeiro, manter regularidade nas aplicações e escolher investimentos compatíveis com a meta. A instituição também orienta acompanhar as variações do mercado, inclusive para identificar oportunidades de compra por valores mais atrativos ao longo do período.
O prazo previsto para a aquisição também influencia essa escolha. Em material publicado no Portal do Investidor, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) traz uma simulação de compra da casa própria em cinco anos. Nesse cenário, podem ser avaliadas opções de renda fixa pré ou pós-fixadas, como fundos de renda fixa, LCI, LCA e títulos públicos, desde que os vencimentos e os riscos sejam compatíveis com o objetivo.
Reserva também pode ajudar a garantir oportunidades em leilões
Quem acumula recursos para a compra da casa própria não fica preparado somente para negociar a entrada de um imóvel vendido pelo mercado convencional. O dinheiro disponível também pode permitir avaliar modalidades em que os valores iniciais ficam abaixo da avaliação, como ocorre em um leilão de imóveis no RJ, por exemplo.
O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro (Creci-RJ), Marcelo Moura, cita como exemplo um imóvel avaliado em R$900 mil que poderia ser arrematado por R$500 mil, o que representa um desconto de aproximadamente 44%.
Segundo Moura, ainda há casos de leilões extrajudiciais, em que a entrada parte de 5%. Entre as oportunidades desse mercado estão imóveis ofertados por empresas e instituições financeiras, como em leilão de Imóveis Bradesco, Santander ou Itaú.
O presidente também destaca as vantagens das taxas de juros em leilões, que podem ficar entre 8% e 9% ao ano, enquanto no mercado convencional superam 11%. Mas, apesar das condições mais atrativas, o especialista alerta que a compra exige preparação.
“É preciso conhecimento técnico e preparação. Saber, por exemplo, quando um juiz concede liminar, como negociar com um ocupante, quais documentos são necessários e quando o imóvel estará disponível para uso é essencial para o sucesso e garantia jurídica do negócio”, destaca Moura.
FGTS pode reforçar o valor disponível para a compra
Além da quantia acumulada ao longo do planejamento financeiro, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também pode entrar na conta. Uma publicação da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do RJ (Ademi-RJ) lembra que o recurso pode ser utilizado na entrada do imóvel ou para amortizar o financiamento, desde que sejam atendidas as regras previstas para o uso do fundo.
Segundo especialista citado pela entidade, como a remuneração do FGTS costuma ser inferior aos juros cobrados no financiamento, utilizar o saldo para reduzir a dívida pode ser mais vantajoso do que mantê-lo aplicado.
Domingos também destaca que o valor da entrada impacta diretamente o financiamento. Quanto maior a quantia paga inicialmente, menor tende a ser o saldo financiado e, consequentemente, mais adequada pode ficar a prestação em relação à renda da família.


