Como os avanços tecnológicos impactam a formação dos estudantes da área da saúde?
Os avanços tecnológicos, como a inteligência artificial (IA), a telemedicina e a robótica, estão transformando a formação dos estudantes da área da saúde ao ampliar o acesso a ferramentas de diagnóstico, planejamento de tratamentos e medicina personalizada. Conhecer essas tecnologias é importante para compreender as práticas clínicas e os desafios da assistência à saúde.
Estudos médicos destacam a integração entre essas ferramentas como uma tendência para 2026. A robótica e a IA, por exemplo, podem contribuir para a precisão dos procedimentos e apoiar decisões clínicas, enquanto a análise de grandes volumes de dados ajuda a identificar padrões e desenvolver abordagens mais individualizadas de cuidado.
Na prática, isso significa que ao procurar um cardiologista para um check up de rotina, o paciente teria acesso a uma avaliação detalhada não só sobre as condições de saúde no momento da consulta, mas também sobre predisposição para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, o que permitiria a adoção de cuidados preventivos.
Expansão da medicina personalizada
A medicina personalizada não é uma realidade tão distante. No dia a dia, a tecnologia já se faz presente no controle da saúde. Um exemplo são os dispositivos vestíveis, os wearables, como smartwatches e sensores de glicose contínuos, fornecem dados vitais 24 horas por dia, permitindo o monitoramento contínuo.
O que tende a mudar é a integração total desses dados com o prontuário eletrônico, permitindo que o médico acompanhe o paciente de forma contínua e interceda proativamente.
Outro exemplo que já é realidade diz respeito à detecção de tumores a partir da identificação de alterações metabólicas e anatômicas, como é feito o exame de PET-CT Oncológico, procedimento que serve como exemplo de precisão tecnológica no diagnóstico e no acompanhamento de pacientes com câncer.
A telemedicina também integra a lista. Nos últimos anos, evoluiu de solução emergencial para um pilar da atenção primária e especializada. Em 2026, é a vez da expansão do modelo híbrido, ou seja, consultas presenciais complementadas por telemonitoramento e teleorientação.
Entre as projeções do estudo publicado no Journal of Robotic Sugery está, também, a robótica cirúrgica mais acessível, além do uso de terapias digitais, que são softwares baseados em evidências que entregam intervenções terapêuticas para prevenir, gerenciar ou tratar distúrbios médicos. Outro avanço é a medicina de precisão, que utiliza o perfil genético e molecular do paciente para guiar o tratamento.
Estudos promissores miram diferentes doenças
Segundo publicação da Nature Medicine, os estudos clínicos mais promissores para 2026 incluem vacinas de longa duração para diferentes doenças e tratamento com células-tronco.
Alzheimer, ELA, Parkinson, e esclerose múltipla
O Trial NEST é um estudo clínico em desenvolvimento para explorar o papel das células-tronco colhidas da medula óssea do próprio paciente, na melhora da função neurológica. As células-tronco são colhidas, isoladas e reintroduzidas por meio dos vasos sanguíneos que irrigam as cavidades nasais, fazendo com que penetrem no cérebro para reparar danos neurológicos.
Resultados preliminares mostram melhora em condições como Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica (ELA), Parkinson, esclerose múltipla e encefalopatia traumática, doenças em que os recursos terapêuticos são escassos e os benefícios limitados.
Para este ano, também há expectativa de resultados de novos medicamentos para tratar o Alzheimer. Enquanto os anticorpos atuais mais avançados atuam eliminando as placas de beta-amiloide, uma proteína que se acumula no cérebro dos pacientes, há medicações direcionadas à tau, uma segunda proteína ligada ao diagnóstico.
Duas drogas estão avançadas nos testes e receberam a designação de fast track da agência reguladora americana Food and Drug Administration (FDA). Se demonstrarem benefício, podem ser aprovadas antes mesmo do fim dos testes.
Tuberculose
Outro estudo destacado pela publicação, já na fase 3, testou uma nova vacina de longa duração contra tuberculose, M72/AS01. A pesquisa incluiu 20 mil participantes na África do Sul, Quênia, Malawi, Zâmbia e na Indonésia, em comunidades com altos índices da doença. Os resultados devem estar disponíveis em três anos.
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são registrados aproximadamente 84 mil novos casos da doença a cada ano, com registro de seis mil mortes.
HIV
As universidades de Rockfeller, Imperial e Oxford estão conduzindo o estudo RIO, para avaliar se um “coquetel” de anticorpos que permanece no organismo por seis meses pode manter a carga viral do HIV sob controle quando os antivirais são suspensos.
Resultados preliminares mostram que, depois de cinco meses de interrupção, 75% dos participantes mantêm cargas virais indetectáveis. Alguns permanecem cerca de dois anos nessa condição. Em comparação, no grupo placebo apenas 11% atingem esse objetivo.
Sequelas de Covid-19
A maioria das pessoas que tiveram Covid-19 volta à vida normal, mas há aquelas que desenvolvem a forma longa da doença, com sintomas que vão da fadiga intensa às dificuldades cognitivas.
Em 2021, o National Institute for Health, do Reino Unido, começou a testar novos tratamentos para essa condição. O estudo se concentrou nas alterações presentes nos pequenos vasos sanguíneos dos pacientes.
Estão sendo testados medicamentos para reduzir a inflamação e melhorar o fluxo de sangue, ao lado de anticoagulantes para impedir que se formem coágulos intravasculares, um dos problemas envolvidos na fisiopatologia da Covid. Os dados serão publicados ainda este ano
Diabetes tipo 1
O laboratório Vertex planeja submeter às agências reguladoras o pedido de aprovação para o zimislecel, uma terapia inédita com células-tronco para diabetes tipo 1 que, com uma injeção única, levou alguns casos específicos da doença a não precisarem mais de insulina nos estudos.
Câncer
O laboratório alemão BioNTech e o americano Moderna anunciaram planos de começar a submeter doses feitas com a tecnologia para uso no tratamento do câncer.
A maior expectativa é em relação aos dados da fase 3 da vacina contra melanoma, tipo de câncer de pele, da Moderna. Nas etapas anteriores, a dose junto a um imunoterápico reduziu em 49% o risco de morte ou recorrência, e em 62% o de morte ou metástase.


