Como estudantes podem aprender a usar a tecnologia para empreender?
A abertura de microempreendedores individuais (MEI) avançou 14,5% nos sete primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). No acumulado de janeiro a julho, o país registrou 3,6 milhões de novos pequenos negócios.
O setor de serviços liderou as aberturas em julho, com 308 mil novas empresas, equivalentes a 65% do total. O país soma 25,4 milhões de empresas ativas, de acordo com o Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Memp), com 485 mil aberturas somente em julho e 73,7% dos registros concluídos em menos de um dia.
Para 57% dos microempreendedores individuais e 50% das micro e pequenas empresas, aumentar as vendas é o resultado mais importante esperado de uma ferramenta digital, segundo a pesquisa Perspectivas Digitais nos Negócios, do Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Google. Parte dos empreendedores recorre à criação de sites logo após a formalização, para consolidar um canal de vendas próprio diante da concorrência por atenção na internet.
MEI depende do celular mais que do computador para operar
Entre os microempreendedores individuais, o uso de computador no dia a dia da operação chega a 62%, segundo a pesquisa Transformação Digital nos Pequenos Negócios (2026), do Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa. O índice é inferior à média das micro e pequenas empresas (75%) e mais distante ainda das empresas de pequeno porte, com 95% de adoção.
O acesso à internet, por outro lado, atinge 94% dos empreendedores, com o celular como principal via de conexão: 81% usam o aparelho para navegar e gerenciar as atividades do negócio; 68% utilizam computador e 25%, tablet. A operação nesse perfil tende a ficar concentrada em aplicativos e redes sociais, sem uma infraestrutura própria centralizada.
“Redes sociais são ótimas para divulgação, mas o empreendedor não controla completamente essas plataformas: mudanças de algoritmo, bloqueios de conta ou perda de alcance podem afetar diretamente o negócio”, avalia o analista de Search Engine Optimization (SEO) da HostGator, Rafael Souza. Segundo ele, um site próprio é indispensável quando o microempreendedor depende da internet para atrair clientes e realizar vendas, já que um domínio próprio concentra serviços, portfólio e contatos em um único canal e favorece o aparecimento em buscas do Google.
Na escolha da hospedagem para essa etapa, Souza recomenda equilíbrio entre preço, desempenho e suporte técnico, sem contratar recursos que o negócio ainda não usa. O especialista diz ser essencial avaliar estabilidade, velocidade de carregamento e certificado de segurança, além de conferir o valor da renovação além do preço promocional do primeiro plano.
Quase metade dos pequenos negócios já sofreu tentativa de golpe digital
A pesquisa do Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), também vinculado à Fundação Getulio Vargas (FGV), mostrou que 44% dos pequenos negócios já enfrentaram tentativas de golpes digitais ou por telefone nos 12 meses anteriores ao levantamento.
Apenas 17% desses negócios contam com medidas estruturadas de proteção digital, enquanto o percentual chega a 72% entre as médias e grandes empresas. Entre os microempreendedores individuais, o golpe do Pix é a principal preocupação, citado por 31% dos entrevistados.
IA já faz parte da rotina de 52% dos pequenos negócios
O uso de inteligência artificial (IA) entre pequenos negócios brasileiros chegou a 52% nas duas semanas anteriores à pesquisa Transformação Digital nos Pequenos Negócios, contra 21% registrados por levantamento equivalente do U.S. Census Bureau, nos Estados Unidos (EUA). A intenção de adotar ou ampliar o uso da tecnologia no semestre seguinte também é maior no Brasil: 60%, contra 24% nos EUA.
Entre os empreendedores brasileiros que já usam IA, a aplicação mais comum foi o aprimoramento de tarefas já realizadas por funcionários, citado por 28%, seguido pela introdução de novas funções, com 19%. Há microempreendedores que recorrem a uma plataforma de IA para automatizar o atendimento ao cliente e as ações de marketing, tarefas que, na operação solo do MEI, costumam recair sobre a mesma pessoa.
Adoção de IA não reduziu quadro de funcionários em 90% dos casos
Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, a IA alterou o número de funcionários em menos de 10% das empresas que a utilizam. No Brasil, 90% dos pequenos negócios que usam a tecnologia mantiveram o quadro nos últimos seis meses, 5% reduziram postos de trabalho por causa dela e 3% registraram aumento de contratações motivadas pela ferramenta.
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, esse comportamento reflete a percepção de que a tecnologia deixou de ser restrita a grandes corporações. “O nosso empresário percebeu que a IA não é uma realidade distante de grandes corporações, mas sim uma ferramenta de competitividade diária que cabe no bolso e ajuda no dia a dia da empresa.”
A principal barreira entre quem ainda não usa IA é a falta de informação: 38% dos empresários que não planejam adotar a tecnologia nos próximos seis meses citam o desconhecimento sobre suas capacidades como motivo. Nos Estados Unidos, o argumento mais comum para a não adoção é que a ferramenta simplesmente não se aplica ao negócio, citado por 62% dos entrevistados.


