Congresso TEA em Taboão da Serra debate diagnóstico, inclusão e empregabilidade no Brasil
A UniFECAF, em parceria com a OAB e a Prefeitura de Taboão da Serra, realizou o 1º Congresso TEA, reunindo especialistas, ativistas, estudantes e familiares para discutir o cenário do autismo no Brasil, com foco em diagnóstico, inclusão social, políticas públicas e empregabilidade.
O evento se consolidou como um espaço de diálogo qualificado e vivência prática, ampliando a compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reforçando a necessidade de ações integradas entre educação, saúde, poder público e mercado de trabalho.
Inclusão na prática: vivência, acolhimento e impacto social
Mais do que um espaço de palestras, o congresso se destacou por proporcionar experiências práticas de inclusão. Expositores trouxeram livros voltados à conscientização, além de brinquedos sensoriais e objetos reguladores, enquanto o público teve acesso a produtos ligados à causa, como ecobags, buttons e acessórios, fortalecendo o engajamento social.
A Prefeitura de Taboão da Serra também participou ativamente com a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) e orientações sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC), ampliando o acesso à informação e aos direitos.
Outro destaque foi a atuação dos alunos da área da saúde da UniFECAF. Estudantes de Enfermagem estiveram presentes durante todo o evento com atendimentos e suporte, enquanto alunos de Psicologia ofereceram escuta e orientação. Já os estudantes de Educação Física promoveram atividades e jogos inclusivos, incentivando a participação e a integração.
Esse conjunto de ações contribuiu para transformar o congresso em um ambiente vivo de inclusão, no qual o acolhimento e a troca aconteceram de forma direta e humanizada.
Educação como agente de transformação social
A proposta do evento também foi reforçada pela liderança institucional. O CEO da UniFECAF, Marcel Gama, destacou o papel da educação na construção de uma sociedade mais inclusiva.
Segundo ele, iniciativas como o congresso representam o compromisso da instituição em disseminar conhecimento, promover conscientização e ampliar oportunidades. A fala reforça a importância de conectar ensino, comunidade e mercado de trabalho em ações concretas.
A diretora acadêmica da instituição, Samira Fortunato, também destacou a relevância do evento ao evidenciar o papel da formação acadêmica na transformação social. “Quando proporcionamos experiências como essa, estamos formando profissionais mais preparados tecnicamente, mas, sobretudo, mais conscientes do seu papel na construção de uma sociedade inclusiva”, afirmou.

Empregabilidade e os desafios da inclusão no mercado de trabalho
Um dos pontos centrais do congresso foi o debate sobre a empregabilidade de pessoas com deficiência no Brasil. Em palestra conduzida pelo time de carreiras da UniFECAF, foram apresentados dados que evidenciam um cenário ainda desafiador.
Mesmo com a obrigatoriedade legal, mais de 50% das vagas destinadas a pessoas com deficiência permanecem abertas. Além disso, apenas cerca de 1% a 2% dos vínculos formais de trabalho são ocupados por esse público.
Entre os principais obstáculos estão a falta de acessibilidade nos processos seletivos, o despreparo das empresas e barreiras relacionadas ao preconceito. “O mercado ainda deixa de absorver talentos não por falta de capacidade, mas por falhas estruturais nos processos e na cultura organizacional”, destacou Jacqueline Pereira.
Diagnóstico do autismo e avanços nas políticas públicas
O congresso também trouxe uma análise aprofundada sobre o diagnóstico do autismo no Brasil. A pesquisadora Bruna Ituassu apresentou dados atualizados, indicando que o país possui cerca de 2,4 milhões de pessoas no espectro.
A especialista destacou o desafio do diagnóstico tardio, especialmente em meninas e mulheres, cujos sinais costumam ser mais sutis e frequentemente mascarados por estratégias de “camuflagem”. Esse cenário contribui para que muitos casos sejam identificados apenas na fase adulta.
No campo das políticas públicas, foram ressaltados avanços como a Lei Berenice Piana, que garante direitos fundamentais às pessoas com TEA, e a inclusão do autismo no Censo Demográfico. Ainda assim, desafios persistem, como o tempo de espera por atendimento especializado, que pode chegar a até 90 dias.
Relatos e vivências que reforçam a importância da inclusão
Além das discussões técnicas, o congresso foi marcado por momentos de forte impacto emocional. O lançamento do livro “Isa – A menina que ama gatos”, apresentado por Andressa Luchiari, trouxe um olhar sensível sobre as vivências no contexto do autismo.
Na sequência, relatos de mães atípicas evidenciaram a sobrecarga enfrentada no dia a dia, marcada pela responsabilidade quase integral no cuidado dos filhos. Ao mesmo tempo, os depoimentos revelaram estratégias, aprendizados e conquistas que reforçam a importância do acesso à informação, ao acolhimento e à garantia de direitos.
Um debate que precisa avançar
Ao reunir diferentes perspectivas, entre especialistas, estudantes, ativistas e familiares —, o 1º Congresso TEA reforça a urgência de ampliar o debate sobre o autismo no Brasil.
Mais do que promover discussões, o evento evidenciou que a inclusão exige ações concretas, continuidade e compromisso coletivo. Garantir direitos, ampliar oportunidades e reconhecer o potencial de cada indivíduo não é apenas uma pauta social, mas uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade.
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