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Streaming de Música no Brasil gera tendências no ensino superior

Imagem do(a) autor(a) do texto - Viviane S. Lhacer em parceria com Experta MídiaPor  Viviane S. Lhacer em parceria com Experta Mídia 27 de Abril de 20264 min para ler
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Brasil é um dos maiores mercados globais em streamings de música

 

O Brasil tem consolidado sua posição como um dos principais mercados globais de streaming musical. Dados do relatório Year-End Music Report 2025, divulgado pela empresa de análise de dados Luminate no início de 2026, mostram que o país ocupa a quarta posição no ranking mundial de reproduções em plataformas digitais, com cerca de 410,2 bilhões de streams ao longo do ano.

 

A liderança global permanece com os Estados Unidos, que somaram aproximadamente 1,5 trilhão de reproduções, seguidos por Índia, com 489,9 bilhões, e México, que registrou 461,4 bilhões de execuções. O levantamento considera o volume total de streaming sob demanda, incluindo áudio e vídeo em diferentes plataformas digitais.

 

O Brasil também aparece entre os mercados que mais ampliaram o uso de serviços pagos de streaming. De acordo com o relatório, foi registrado um crescimento de 38,6 bilhões de streams premium no último ano, o terceiro maior avanço global na categoria, atrás apenas de Estados Unidos e México. 

 

Outro aspecto que diferencia o mercado brasileiro é a forte preferência por artistas nacionais. Levantamento divulgado pela Pró-Música Brasil, entidade que representa gravadoras e produtoras fonográficas no país, mostra que 94% das músicas mais tocadas nas plataformas ao longo do último ano são brasileiras.

 

Das 50 faixas mais executadas no período, 47 são nacionais, enquanto apenas três produções internacionais aparecem no ranking: “Die With A Smile”, de Lady Gaga e Bruno Mars; “Ordinary”, de Alex Warren; e “Lose Control”, de Teddy Swims. São reunidos dados de diferentes serviços digitais, incluindo SpotifyYouTubeDeezerApple MusicAmazon Music.

 

O Brasil é visto não só como um grande consumidor de música digital, mas também como um mercado que impulsiona a própria produção cultural. O pagode, por exemplo, chegou ao topo da lista anual com a faixa “P do Pecado (Ao Vivo)”, do grupo Menos é Mais em parceria com Simone Mendes, encerrando uma sequência de sete anos de liderança do sertanejo.

 

Streaming entra em nova fase  

 

Apesar dos números de consumo, especialistas afirmam que o setor vive um momento de transição. Em análise publicada pela União Brasileira de Compositores (UBC), o ano de 2025 marca uma mudança no ritmo de crescimento da indústria de streaming.

 

Segundo a instituição, depois de mais de uma década de expansão acelerada, o mercado começa a apresentar sinais de maturidade. O número de assinantes continua aumentando, mas a receita cresce em velocidade menor, o que leva as plataformas a priorizar estratégias voltadas à rentabilidade e ao engajamento do público.

 

Assim, o crescimento recente do setor passa a ser mais qualitativo do que quantitativo. As empresas têm investido em aumentar o valor médio gerado por usuário, reduzir a dependência de promoções e ampliar fontes de receita com serviços como áudio em alta qualidade, podcasts, audiolivros e recursos de personalização.

 

Esse movimento também abre espaço para novas iniciativas voltadas à inovação dentro da economia criativa. Iniciativas de pitching de soluções criativas aproximam startups, desenvolvedores e profissionais da indústria musical para apresentar ferramentas voltadas à distribuição digital, análise de dados e novas formas de monetização de conteúdo.

 

Nesse contexto, a expansão do streaming também fortalece conexões com outros segmentos da indústria cultural. Eventos que reúnem música, tecnologia e design acompanham as transformações da produção e do consumo digital.

 

Em eventos de design 2026, por exemplo, debates sobre experiência digital, identidade visual de artistas e inovação em plataformas musicais tendem a ganhar espaço à medida que o setor se torna cada vez mais orientado por dados e tecnologia.

 

Avanço da IA cria desafios para a indústria da música

 

Ao mesmo tempo em que surgem novas oportunidades, o avanço da Inteligência Artificial (IA) tem levantado desafios inéditos para o setor. Hoje, a gestão no mercado da música envolve muito mais que artistas, gravadoras e distribuidoras, dependendo também de especialistas em tecnologia, análise de dados e propriedade intelectual responsáveis por lidar com conteúdos gerados por algoritmos.

 

De acordo com a UBC, os próximos anos podem trazer um cenário mais complexo para plataformas de streaming, à medida que essa tecnologia vem se impondo no tabuleiro da indústria. A organização cita uma análise publicada pelo jornal Financial Times, que alerta para o crescimento acelerado de músicas produzidas por IA.

 

Segundo o artigo, o aumento desse tipo de conteúdo, muitas vezes com qualidade irregular, descrito como “slop”, ou lixo digital, pode inundar os catálogos das plataformas e alterar o equilíbrio atual na distribuição de royalties entre gravadoras, editoras, compositores e outros participantes do mercado.

 

Nesse contexto, o streaming musical pode se aproximar de um ponto de inflexão. Com mais usuários e um volume cada vez maior de faixas disponíveis, cresce também a dificuldade de identificar quais obras realmente geram valor artístico e econômico, enquanto a multiplicação de músicas produzidas por IA tende a provocar distorções nos sistemas de remuneração da indústria, tirando valor dos verdadeiros titulares.

 

“Tudo isso, somado, pode (e provavelmente vai) comprometer a sustentabilidade financeira das plataformas no médio e longo prazos. Os próximos balanços trimestrais dirão”, aponta a UBC.

 

Algumas plataformas já começaram a adotar medidas para lidar com o problema. A Apple Music anunciou que pretende incluir etiquetas de identificação para conteúdos que utilizem IA, embora o sistema dependa da autodeclaração de selos e distribuidoras.

 

Já a Deezer tem investido nos últimos meses em tecnologia própria para detectar automaticamente esse tipo de material. Segundo a empresa, cerca de 60 mil músicas totalmente geradas por IA são enviadas diariamente à plataforma, número que vem crescendo rapidamente desde o início de 2025.

 

Em declarações obtidas pela UBC, o diretor-executivo da Deezer, Alexis Lanternier, reconhece que o avanço desse conteúdo representa um grande risco para o setor. “Sabemos que a maioria das músicas geradas por IA é enviada para a Deezer com o objetivo de cometer fraude, e continuamos a tomar medidas”, afirmou, ao destacar os investimentos da empresa em sistemas capazes de identificar e conter esse tipo de prática.

 

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